Velhas Tradições na Nova Família

Velhas Tradições na Nova Família

02/01/2019
Thiago Queiroz

Nós decidimos assistir a um filme das nossas infâncias com os nossos filhos: Esqueceram de Mim. Reviver esse momento com a nova família foi surpreendente.

Você já passou por algum momento com os seus filhos que envolvia reviver algo do seu passado que já era prazeroso, mas que agora, com os seus filhos, faz muito mais sentido?

Esses momentos são raros, pelo menos para mim, e isso aconteceu bem recentemente. Isso não acontece muito conosco porque, normalmente, estamos sempre procurando novas experiências e histórias com os nossos filhos — a nossa nova família.

E tudo bem que seja assim. Afinal de contas, para muitos de nós, ter filhos é a nossa chance de escrever a nossa história do jeito que gostaríamos, como um recomeço para a nossa própria felicidade. Tudo isso é muito saudável e faz todo o sentido buscarmos criar as nossas próprias tradições e lembranças com os nossos filhos.

Mas, às vezes, temos a oportunidade de ressignificar antigas memórias e tradições que já eram guardadas com muito carinho. É como o que vivem fazendo no cinema, com os reboots de antigas franquias de filmes, só que, no nosso caso, esses resgates tendem a ser bons, ao contrário da maioria dos reboots de filmes.

E, já que estamos falando em filmes, esse momento em que vivemos foi assistindo um filme, o grande clássico Esqueceram de Mim.

Sim, o filme de Natal mais clássico de todos e que a maioria de nós provavelmente assistiu centenas de vezes em nossas infâncias e adolescências.

A lembrança que eu tinha desse filme era boa, lembrava que era um filme divertido, meio bobinho, mas a minha lembrança mais forte era que eu não aguentava mais ver esse filme, por mais que eu não tivesse mais assistido-o em, pelo menos, 20 anos.

Caso você não seja da minha geração, deixa eu explicar rapidamente a história do filme: Kevin é o irmão mais novo de uma grande família, em que os irmãos implicam e falam coisas realmente maldosas para ele. Farto dessa situação, o Kevin deseja que sua família suma e é exatamente isso que acontece: a família faz uma viagem de Natal para Paris e esquece o menino em casa, que precisa aprender a se virar e até defender a casa de dois ladrões. Enfim, é um filme de 1982, então precisamos ter um pouco de paciência com ele, né?

Mas o que nos levou a assistir esse filme de novo? Bem, por incrível que pareça, foi um livro. Recentemente, a história desse filme foi lançada em forma de livro para crianças. Com ilustrações lindas e através de uma forma bem bacana, o livro conta a história geral do filme. Obviamente, os meninos amaram o livro — na verdade, há uma série de três livros sobre filmes das nossas infâncias, todos lindos, mas como isso não é um publi, não vou ficar falando muito sobre eles, né?

Foi, então, por causa do livro que decidimos assistir ao filme novamente, dessa vez com a nossa nova família. E olha, foi uma das experiências mais lindas que eu já tive assistindo a um filme.

Durante todo o filme, o Dante ficava acompanhando a história, como se estivesse segurando em suas mãos um precioso roteiro de filme. Era fascinante vê-lo comentando coisas do tipo:

— Olha, é o que está no livro!

— Pai, agora o Kevin vai no mercado fazer compras!

Isso, claro, sem que nenhum dos meninos tivessem assistido a Esqueceram de Mim antes. Acho que eles tiveram a mesma experiência de quem assiste um filme depois de ler o livro que originou o mesmo.

Na verdade, eles tiveram uma experiência melhor, porque quando nós, adultos chatos, fazemos isso, ficamos comparando e esperando que o filme seja exatamente igual ao filme. O Dante, por exemplo, não se preocupava com isso. Ele estava aproveitando aquele momento especial.

E, com o avançar do filme, eu e Anne fomos revivemos a história do filme, e rapidamente estávamos todos rindo — rindo não, gargalhando — de todas as situações engraçadas que o Kevin aprontava com os ladrões.

Vocês não sabem quanto é delicioso gargalhar ao mesmo tempo com toda a sua família. É uma sensação que eu mal consigo descrever aqui. É aquele sentimento de que tudo faz sentido, de que aquele é o seu lugar e de que a vida é boa. Só faltou mesmo a Maya, mas ela é muito novinha para gargalhar, então certamente vamos repetir isso daqui a alguns anos com ela.

E, chegando ao final do filme, eu e Anne nos pegamos indo do riso às lágrimas, no momento em que o Kevin reencontra a sua mãe. Eu sei, nós vimos esse filme milhares de vezes, mas sendo pai e mãe, essa cena passa a ter um sentido muito mais intenso para nós.

Então é isso, recomendo muito que vocês tenham esses momentos com os seus filhos. Seja assistindo a um filme, ou lendo um livro, gargalhe com os seus filhos, se emocione com eles. Precisamos muito desses momentos para recarregar nossas energias e fortalecer nossas crenças e valores.

Ah, e se você já passou por experiências como essas, comente aqui também. Eu quero ressignificar mais tradições antigas com a minha nova família!